“No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.” (João 1:1)
Jesus fala:
“Eu, Jesus, sou o Verbo, a Palavra eterna. Antes de qualquer coisa existir, Eu já estava. Em grego, sou chamado de Logos (λόγος), que significa mais do que uma simples palavra. Eu sou a razão por trás de todas as coisas, a sabedoria de Deus revelada, o poder criador de todo o universo. Eu estava com o Pai desde sempre, e Eu sou o próprio Deus. Não houve nada que tenha sido feito sem a Minha participação ativa e poderosa. Tudo que você vê e tudo que não vê foi criado através de Mim.”
“Eu sou aquele que iniciou a criação, aquele que trouxe à existência os céus e a terra, as estrelas e as montanhas. Em Mim está a vida, uma vida que transcende a morte e que não pode ser detida. Não é apenas a vida que você experimenta aqui, mas a vida eterna, o significado profundo da existência.”
“Todas as coisas foram feitas por intermédio dEle, e sem Ele nada do que foi feito se fez.” (João 1:3)
“A vida estava nEle, e a vida era a luz dos homens.” (João 1:4)
Jesus continua:
“Sim, todas as coisas foram feitas por meio de Mim. Quando você observa a beleza de uma flor, a grandiosidade do oceano ou a imensidão do céu, lembre-se que foi através de Mim que tudo isso veio à existência. E sem Mim, nada existiria. Eu sou a fonte de tudo, o ponto de origem de cada movimento da criação. A vida que habita o universo, o sopro de toda criação, está em Mim. Eu sou a vida verdadeira, a única capaz de satisfazer sua alma e dar-lhe propósito.”
“Essa vida é a luz (phos, φῶς) que brilha na escuridão. Eu vim para iluminar os corações dos homens, para tirar você das trevas do pecado e levá-lo à verdadeira luz. As trevas não podem, e nunca poderão, vencer essa luz. Onde Eu estou, a escuridão se dissipa. O pecado e a morte não podem mais dominar.”
Comentário teológico:
Como Matthew Henry observa: “Cristo, como a luz, ilumina todos os que têm o coração aberto para Ele, enquanto a escuridão do pecado tenta obscurecer a verdade, mas nunca pode prevalecer sobre a luz de Cristo” (Matthew Henry’s Commentary).
“A luz resplandece nas trevas, e as trevas não a venceram.” (João 1:5)
Jesus explica:
“Quando Eu entrei no mundo, trouxe uma luz que ninguém jamais poderia apagar. As trevas (skotia, σκοτία) são o domínio do mal, do pecado, da ignorância. Mas Eu vim para transformar isso. Onde havia medo, Eu trouxe coragem; onde havia confusão, Eu trouxe clareza; onde havia morte, Eu trouxe vida. E essa luz brilha para todos que aceitam e seguem. Para aqueles que Me recebem, essa luz se torna parte deles, iluminando seus caminhos, guiando-os.”
“A verdadeira luz não se apaga. Mesmo quando as dificuldades surgem e os desafios parecem imensos, a luz que Eu sou jamais se extinguirá. Ela continuará iluminando os corações de todos que Me buscam.”
“Houve um homem enviado por Deus, cujo nome era João. Ele veio como testemunha, para testificar acerca da luz, a fim de que todos cressem por intermédio dele.” (João 1:6-7)
Jesus fala sobre João:
“Eu enviei João para preparar o caminho, para anunciar que Eu estava chegando. Ele não era a luz, mas era o mensageiro da luz verdadeira. Ele foi um sinal, uma preparação, para que todos pudessem acreditar em Mim. João proclamou que Eu sou o Cordeiro de Deus, aquele que tira o pecado do mundo (João 1:29). Ele preparou o coração das pessoas para que estivessem prontas para receber a luz que sou Eu.”
“O papel de João foi fazer com que você se preparasse para a salvação, para que, ao Me verem, todos pudessem crer e serem salvos.”
Catecismo de Westminster:
“Cristo executa o ofício de profeta ao revelar, por Sua Palavra e Espírito, a vontade de Deus para a nossa salvação” (Catecismo Maior de Westminster, Pergunta 43).
“E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a Sua glória, glória como do unigênito do Pai.” (João 1:14)
Jesus reflete sobre Sua encarnação:
“Eu Me fiz carne. Eu, que sou eterno, tomei forma humana para que você pudesse ver Deus em sua plenitude. Não foi uma simples visita, mas Eu vim habitar entre você. Em grego, a palavra ‘habitava’ é skēnoō (σκηνόω), que significa ‘tabernacular’, como Deus fazia no Antigo Testamento no tabernáculo. Assim, Eu vim para ser o novo tabernáculo, a morada de Deus entre os homens. A Minha glória não era a de um rei terreno, mas a glória do Filho unigênito do Pai, cheia de graça e verdade.”
“Minha encarnação é a maior manifestação do amor de Deus. Eu, sendo Deus, escolhi ser fraco, pequeno e limitado como vocês, para que através de Mim, você pudesse ver a grandeza e a bondade de Deus.”
“Porque todos nós temos recebido da Sua plenitude, e graça sobre graça.” (João 1:16)
Jesus conclui:
“Em Mim está a plenitude de graça. Você não precisa buscar em outro lugar, porque Eu sou a fonte da graça verdadeira, que nunca se esgota. Quando você vem a Mim, recebe sempre mais. O que você recebe de Mim não é algo que se acaba, mas uma graça que se renova a cada dia, a cada momento.”
“Essa graça é sobre graça, é um fluxo contínuo do amor de Deus, derramado abundantemente em sua vida. Não há limite para o que Eu posso fazer por você, e quanto mais você se aproxima de Mim, mais você experimenta da Minha bondade e perdão.”
Comentário teológico:
“A graça de Cristo é abundante, é derramada sobre aqueles que creem, e esta graça é uma renovação constante que só é encontrada n’Ele” (John Calvin, Institutas da Religião Cristã).
Neste primeiro capítulo do Evangelho de João, vemos a revelação de Jesus como o Verbo eterno, o Criador de todas as coisas, a luz que brilha nas trevas e a plenitude da graça de Deus. Jesus não é apenas uma figura histórica, mas o próprio Deus que se fez carne para habitar entre nós, trazendo a salvação e a verdadeira vida. Este é o começo de uma jornada de fé, onde a graça de Deus, oferecida através de Jesus, transforma as vidas dos que creem.
O terceiro dia havia chegado. Em Caná da Galileia, uma festa nupcial enchia a casa de alegria. Minha mãe estava lá, e eu e meus discípulos também fomos convidados.
O VINHO, símbolo de celebração e alegria, começou a faltar. No silêncio dos corredores, vozes ansiosas sussurravam: “Acabou o vinho!”
Minha mãe olhou para mim, seu olhar carregado de expectativa. Sem dizer diretamente, ela pediu minha intervenção.
“Mulher, que tenho eu contigo? Ainda não é chegada a minha hora.” (Evangelho de João 2:4).
Ela sabia que eu poderia fazer algo, mas minha missão era maior do que apenas resolver problemas terrenos. Ainda assim, ela confiava. Virou-se para os serventes e disse:
“Fazei tudo o que ele vos disser.” (Evangelho de João 2:5).
Ali estavam seis talhas de pedra, usadas para a purificação dos judeus, cada uma comportando de dois a três metretas (metretēs, medida equivalente a cerca de 40 litros).
Olhei para os serventes e ordenei:
“Enchei de água essas talhas.”
Eles obedeceram, enchendo-as até a borda.
“Agora, tirai e levai ao mestre-sala.” (Evangelho de João 2:8).
Eles foram. O mestre-sala provou a água que se tornara vinho e, sem saber de onde viera, chamou o noivo:
“Todos servem primeiro o bom vinho, e, quando já beberam fartamente, então o inferior; mas tu guardaste o bom vinho até agora!” (Evangelho de João 2:10).
Assim manifestei minha glória, e meus discípulos creram em mim.
A água transformada em vinho não era apenas um gesto de compaixão. Cada detalhe daquele milagre revelava algo maior.
“Cristo não veio apenas para melhorar a vida que já temos, mas para nos dar uma nova vida, superior, completa e eterna.” (Comentário de Matthew Henry).
Meus discípulos compreenderam que este sinal apontava para algo além do momento presente. Eles creram. A festa em Caná era um prenúncio do grande banquete celestial.
A festa fervia, a dança girava,
Mas o vinho, o vinho faltava.
Olhares se cruzam, suspiros no ar,
A alegria começa a murchar.
Minha mãe sussurra, confia, insiste,
Os servos me olham, um gesto, um sinal.
Seis talhas vazias, de pedra cinzenta,
Eu mando enchê-las, a fé se apresenta.
A água obedece, sem cor, sem sabor,
Mas eis que se torna em vinho melhor.
O mestre se espanta, o noivo não crê,
O Reino chegou, começa a nascer.
(Melodia simples e envolvente, ideal para congregação ou grupos pequenos.)
Verso 1:
Em Caná da Galileia, festa e alegria,
Mas o vinho se esgotou, e a festa se esvazia.
Minha mãe então me disse: “Filho, faze algo!”
E com fé virou-se aos servos: “Façam o que Ele mandou.”
Coro:
Vinho novo, graça e luz,
O milagre trouxe a cruz.
Transformando a minha história,
Derramando sobre nós.
Verso 2:
Seis talhas foram cheias, nada mais restou,
Mas o que era água pura, em vinho se tornou.
O mestre se admirava: “Que sabor sem igual!”
O Reino chegou, pois Deus é real.
Ponte:
Cristo traz vida, renova o ser,
O que era velho, já não tem poder.
Cristo transforma, traz salvação,
Vinho da graça, nova aliança em ação.
Coro (repetição):
Vinho novo, graça e luz,
O milagre trouxe a cruz.
Transformando a minha história,
Derramando sobre nós.
“No dia seguinte, João viu Jesus, que vinha para ele, e disse: Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!” (João 1:29)
Jesus fala:
“Eu sou o Cordeiro de Deus, aquele que veio para tirar o pecado do mundo. João, o batista, ao Me ver, identificou a missão que Eu estava cumprindo. Ele sabia que não estava apenas olhando para um homem comum, mas para aquele que viria trazer perdão, restaurar a comunhão perdida com Deus. No Antigo Testamento, o cordeiro era sacrificado para cobrir os pecados, mas Eu, o verdadeiro Cordeiro, venho para tirar de uma vez por todas a mancha do pecado. Eu sou a solução definitiva para o problema do pecado e da morte.”
“Ao olhar para Mim, João viu o plano de Deus em ação. Eu sou aquele que traz a redenção, e através de Minha morte e ressurreição, o pecado, que aprisiona o coração humano, será vencido.”
“Este é aquele de quem eu disse: Após mim vem um varão, que é antes de mim, porque era primeiro do que eu.” (João 1:30)
Jesus explica:
“João, com sabedoria, reconheceu a verdade sobre Mim. Mesmo sendo o precursor, ele sabia que Eu vinha de antes, pois Eu sou eterno. Ele estava ciente de que a obra que eu faria era muito maior do que qualquer outra, pois a minha vinda significaria a realização das promessas de Deus. João sabia que, embora ele fosse um profeta poderoso, Eu era o cumprimento de todas as profecias.”
“Eu sou o Salvador do mundo, aquele que está além do tempo e da criação. João, em sua humildade, sabia que sua missão era apenas preparatória, enquanto a Minha missão seria a realização da salvação.”
“E João deu testemunho, dizendo: Vi o Espírito descer do céu como pomba, e permanecer sobre Ele.” (João 1:32)
Jesus fala sobre o Espírito:
“O Espírito Santo desceu sobre Mim para validar a Minha missão e para confirmar que Eu sou aquele que foi enviado por Deus. A pomba que desceu sobre Mim simboliza a paz que Eu trago ao mundo. O Espírito, que sempre esteve comigo, agora manifesta publicamente que Eu sou o escolhido para cumprir a vontade do Pai. Essa visão, João viu, para que todos soubessem que Eu sou o Messias prometido, o Filho de Deus. O Espírito me capacitou a realizar a obra de salvação e é Ele quem agora guia os Meus seguidores.”
“Eu não o conhecia; mas aquele que me enviou a batizar com água me disse: Aquele sobre quem vires descer o Espírito e sobre Ele permanecer, esse é o que batiza com o Espírito Santo.” (João 1:33)
Jesus reflete:
“Embora eu e João fôssemos parentes, a revelação completa de quem Eu sou veio através do Pai. O próprio Deus me revelou que Eu sou aquele que batiza com o Espírito Santo, aquele que veio para dar nova vida aos que creem em Mim. A missão de João foi preparar o caminho, mas a missão de Eu era trazer a plenitude da presença de Deus ao coração de cada pessoa. Eu, o Filho de Deus, batizo com o Espírito Santo, e é através de Minha ação que todos podem ser renovados e restaurados.”
“E eu vi, e tenho testificado que este é o Filho de Deus.” (João 1:34)
Jesus conclui:
“João não apenas Me viu, mas testificou. Ele sabia em seu coração, como muitos ainda precisariam saber, que Eu sou o Filho de Deus. Não sou apenas um homem, mas sou Deus em carne. O Pai Me enviou para que, através de Mim, as pessoas pudessem entender a verdade completa sobre Deus e Sua vontade para a humanidade. Eu sou aquele que traz a verdadeira revelação de Deus e, por meio de Mim, as pessoas podem ter vida eterna.”
Comentário teológico:
“A verdade de Cristo é a chave para a salvação, e o testemunho de João é um exemplo do tipo de fé que deve ser visto em todos os crentes: um testemunho sincero daquilo que se conhece verdadeiramente” (John Stott, O Evangelho de João).
No princípio, antes do tempo falar,
Eu vim, e o mundo não pôde entender.
João olhou, viu em mim o Cordeiro,
E fez sua voz ecoar na solidão.
Era eu, o que falava sem palavras,
Mas meus passos desenhavam a verdade.
Fui o Verbo que tomou a carne do mundo,
E a luz brilhou, mas as trevas a temeram.
Na água, João me viu como a pomba,
O Espírito desceu em silêncio puro,
A paz veio com a promessa antiga,
E eu, Filho de Deus, fui revelado.
João disse, com toda a clareza:
“Este é o que tira o pecado da terra.”
Eu, o escolhido, o Salvador do mundo,
E todos os corações chamaram para crer.
Eu caminhava pelas ruas de Jerusalém quando um homem se aproximou, envolto pelas sombras da noite. Seu nome era Nicodemos, um fariseu e príncipe dos judeus. Ele conhecia a Lei, os Profetas, os Salmos, mas algo dentro dele ansiava por algo maior. Com um misto de respeito e inquietação, ele me disse:
“Rabi, sabemos que és mestre vindo da parte de Deus; porque ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes, se Deus não estiver com ele” (Evangelho de João 3:2).
Ele via os sinais, mas não entendia o Reino. Então olhei para ele e disse:
“Em verdade, em verdade te digo que, se alguém não nascer de novo, não pode ver o Reino de Deus” (Evangelho de João 3:3).
A confusão estampou-se em seu rosto. Ele, um mestre em Israel, não compreendia o que eu dizia. Respondeu-me:
“Como pode um homem nascer, sendo velho? Pode, porventura, voltar ao ventre materno e nascer segunda vez?” (Evangelho de João 3:4).
Então expliquei a ele que o nascimento do Espírito é superior ao nascimento físico:
“O que é nascido da carne é carne; e o que é nascido do Espírito é espírito” (Evangelho de João 3:6).
O novo nascimento não é um retorno ao ventre, mas uma transformação que vem do alto. Assim como o vento (pneuma, que também significa “Espírito” em grego) sopra onde quer e não sabemos de onde vem nem para onde vai, assim é todo aquele que nasce do Espírito (Evangelho de João 3:8).
Nicodemos ainda não entendia, então lembrei-lhe do que estava escrito nas Escrituras:
“E, como Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do Homem seja levantado; para que todo aquele que nele crê tenha a vida eterna” (Evangelho de João 3:14-15).
Moisés ergueu a serpente de bronze para que os israelitas olhassem para ela e fossem curados (Números 21:8-9). Eu serei levantado, pendurado em uma cruz, para que todo aquele que olhar para mim com fé receba a vida eterna.
Foi então que pronunciei as palavras que ressoariam através dos séculos:
“Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Evangelho de João 3:16).
Deus não enviou seu Filho para condenar o mundo, mas para salvá-lo (Evangelho de João 3:17). A luz veio ao mundo, mas os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque suas obras eram más (Evangelho de João 3:19).
Nicodemos ouvira essas palavras. Ele veio à noite, mas encontrou a Luz.
A noite guardava um segredo,
e um homem buscava a luz.
Mestre das leis e das letras,
mas vazio, sem reluz.
O vento soprava sem medo,
o Espírito, a vida gerava,
mas Nicodemos ouvia
e o mistério lhe escapava.
“Como nascer novamente?”
Pergunta ecoa no ar.
“O Espírito sopra onde quer,
e só quem ouve pode entrar.”
Uma cruz se erguia distante,
no madeiro, a morte e a paz.
Quem olhar para o Filho do Homem
verá vida que nunca se desfaz.
(Melodia suave, estilo congregacional, tom esperançoso e reverente)
Verso 1:
Nas sombras da noite, eu vim procurar,
Rabi, tens palavras que fazem pensar.
Jesus respondeu: “Tens que renascer,
Pois só desse jeito irás compreender.”
Coro:
Nascer do Espírito, nascer do alto,
A vida eterna vem pelo salto.
Deus tanto amou que a nós entregou,
Seu Filho bendito, e assim nos salvou.
Verso 2:
O vento que sopra, não sei onde vai,
Mas sinto sua força, e sei que me atrai.
Assim é aquele que nele nascer,
Filho da graça, chamado a viver.
Ponte:
Olhai para a cruz e recebei,
A nova vida que vem do Rei.
Olhai para a cruz e recebei,
A nova vida que vem do Rei.